Joel-Peter Witkin


Hoje eu quero falar sobre um artista muito especial que conheci faz pouco tempo, trata-se do fotógrafo Joel-Peter Witkin . Pois é, não é todo dia que alguém nasce e exerce esse tipo de ousadia no mundo das artes, e eu fui uma das privilegiadas a sentir emoções múltiplas quando foquei meus olhos em seu trabalho. Pessoas como ele, fazem o meu dia-a-dia florescer suspiros de admirações... a capacidade humana de criação é realmente incrível.

Bem, pelo pouco que pude ate agora conhecer ao seu respeito, pude constatar que seu fascínio por mortos começou em sua infância. Imagine só, o garotinho voltando da missa com a sua mãe presencia um acidente brutal de transito, em que a vítima (uma jovem pedestre) tem sua cabeça decepada rolando pelo asfalto até chegar aos pés do pequeno Joel-Peter, que é uma criança curiosa e sensível que ao invés de se assustar com a cabeça, passa a reparar sua expressão facial, seu olhar sem vida, sua “beleza morta”. Essa foi a primeira grande influência que Joe-Peter teve para iniciar seu fascínio.

Um outro ocorrido interessante que aconteceu na vida de Joel foi em um visita a um circo de horrores. Lá ele conheceu um homem hermafrodita (era uma atração do local) e naquele momento Joel teve sua primeira experiência sexual (?!). Incrível, não é?! Eu achei incrível, principalmente porque eu não encontrei mais detalhes a respeito, isso me deixa louca de curiosidade, como eu gostaria de saber mais sobre isso... mas, terei que esperar, um dia eu saberei.

O encontro com o hermafrodita foi tão forte emocionalmente, que serviu de grande influência para suas criações. Pode notar que ele utiliza diversos hermafroditas em seus trabalhos. É uma grande sorte, pois não é fácil encontrar essas pessoas, principalmente mortas e perfeitas para um trabalho (pelo menos eu penso assim, provavelmente o universo estava ao seu favor).

Bem, o que mais me emocionou em seu ponto de vista, foi a super valorização que ele dava a belezas digamos “exóticas”. Ele tentava evidenciar em seus modelos (deficientes e desprovidos da tal “beleza padrão” tão exigida pela sociedade) uma beleza única. Por toda minha interpretação pessoal, notei que as imagens gritam “-Também somos belos!” e a voz da minha consciência completa “-Diferentes e lindos”.

Eu achei incrivelmente belas as fotografias. Todas são muito lindas, todas me levaram a uma atmosfera cheia de segmentos criativos, a cada foto que passo os olhos, uma porta se abre e uma surpresa aparece. Minhas experiência visual foi semelhante ao ato fictício (ou não!) de entrar em outra dimensão, e lá todos são belos, mortos são vivos e vivem bem.

Outra coisa que me agradou, foi a presença do sadomasoquismo. O fetiche, a dor, o prazer, tudo junto e poeticamente misturado aos corpos mais diversificados. Joel soube como ninguém valorizar as sensações e transmiti-las com perfeição.

Nas fotos você encontra um misto de sensualidade, sexualidade, fetichismo, simbolismo (principalmente religioso), natureza morta e referências a outras obras de arte clássicas (que foram focos de inspiração). Reconhecer cada uma desses traços nas obras de Joel depende do grau de conhecimento de cada pessoa, pois são muitas informações e ao mesmo tempo podem estar camufladas entre outros elementos.

Joel produz dez fotografias por ano. Cada fotografia passa por um processo químico para causar efeitos envelhecidos e ranhuras feitos diretamente no negativo das fotos. Ele utiliza cera de abelha e outros meios para chegar a esses resultados que você está vendo. Eu não posso falar muito sobre composições de fotografias pois sou muitíssimo leiga no assunto, essa explanação foi tudo que o meu cérebro conseguiu filtrar sobre como foi feito, o resto é bem mais complexo...

Uma das fotografias mais famosas de Joe é a “The Glassman” (Se você não conhece, clique AQUI e veja). Esse corpo foi encontrado em uma estrada no México. Entraram em contato com Joel para anunciar o novo corpo que foi encontrado, Joel foi até o necrotério verificar. A princípio não conseguiu encontrar no rapaz morto sua inspiração para compor a fotografia desejada, daí pediu para o médico prosseguir com a autópsia. Terminada a autópsia, Joel notou a diferença total que ocorreu no rapaz depois da autópsia e decidiu tentar fazer a fotografia , o resultado foi satisfatório.

Tudo que se sabe sobre o “modelo” sem vida de “The Glassman”, é que era um punk ruivo com tatuagens pelo corpo, possuía um aspecto rebelde muito acentuado. Depois da autópsia Joel disse que ele virou outra pessoa, ganhou um novo aspecto muito mais nobre que cobriu seus antigos atributos rebeldes, e ganhou novos adereços, como uma costura no peito e dedos contorcidos para o alto.

A terceira coisa mais linda que encontrei na arte de Joel, foi o ato de “criar criaturas”. A habilidade de Joe fez mulheres e cavalos mortos se fundirem e assim se tornar um único ser (Clique AQUIe veja). Ele fez isso muitas vezes, e de uma certa forma “imortalizou” o que já estava morto e esquecido, deu uma nova vida a eles.

A primeira vez que vi as fotos (sem saber nada sobre) eu achei que se tratava de fotos muito antigas, me surpreendi ao saber que algumas foram feitas tão recentemente. Ele é um artista contemporâneo que consegue trazer para os dias de hoje uma aparição da antiguidade bastante convincente (é só notar nos figurinos e cenários, tudo se completa).

Selecionei algumas fotografias para que você desfrute. Foi difícil fazer esta seleção pois a maioria me agrada e eu não posso colocar muitas aqui. Na galeria abaixo, para visualizar em tamanho grande é só clicar nas miniaturas.


Gostou da postagem? Então escreva um comentário e divida comigo a emoção que sentiu ao ver essas artes.

Ingrid Naftalina

Créditos das fotos:

+ Studium 14 + O Século Prodigioso + Joel-Peter Witkin + Canibuk + Joel-Peter Witkin +




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